“Nas peças em aço ou ferro, geralmente parto de uma forma geométrica determinada que é exaustivamente repetida, quer no seu núcleo geométrico inicial, quer em seu prolongamento arbitrário. A forma geométrica encontrada é mero pretexto para o pensamento se articular enquanto veículo da imaginação.

Nas instalações, repito incansavelmente a mesma forma (muitas vezes uma espécie de cavalete de aço) para desafiar o olhar a montar novas articulações. Estas peças costumam pedir uma apropriação pelo outro, que é chamado a “remontá-la” tal qual num jogo ou quebra-cabeça, procurando novos equilíbrios ou desafios. Outras são oferecidas em caixas pequenas em que o “jogador” desafia o outro com a invenção.

Agrada-me deixar evidente o aspecto construtivo destas peças, com seus arames que marcam os pontos de solda. São trabalhos em que as noções de caos e ordem estão intrinsecamente unidas.

Já nas peças em madeira, preocupo-me em criar o Vazio que será a origem da própria forma, como em obras em que a mesma forma se apresenta em aspectos diversos ou em outras onde a forma do vazio contém a do cheio e vice-versa. A questão da ambiguidade da forma é muitas vezes colocada em cheque quer por um desequilíbrio proposital, quer pela própria textura do material que a compõe.

As peças “Tributos” e “Irônicas” fazem parte de uma série em que a ironia se mescla com a homenagem. Caos x Ordem, Contingente x Conteúdo, Vazio x Cheio etc., são oposições que me agrada confrontar.

Na série de fotografias, algumas fotos são trabalhadas em computador e depois “coladas” sobre a estrutura do quadro geométrico criado por desenho ou pintura, que as repete. Em outras, crio cenas de rua, dia-a-dia, momentos inexistentes. Observo o observador. Ruas, cidades, multidões são unidas entre si de uma forma casual num processo repetitivo, como se fossem meros dados abstraídos de sua significação real.”

Fonte: Site oficial

Links