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Armila

ARMILA

Datas

Criação 2010

Término 2013

A primeira vez que li As Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino, fiquei encantada com Armila cidade Delgada. Desejei construir uma instalação com tubos, torneiras quem sabe banheiras flutuantes…

“Ignoro se Armila é dessa maneira por ser inacabada ou demolida, se por trás dela existe um feitiço ou um mero capricho. O fato é que não há paredes, nem telhados, nem pavimentos: não há nada que faça com que se pareça com uma cidade, exceto os encanamentos de água, que sobem verticalmente nos lugares em que deveria haver casas e ramificam-se onde deveria haver andares: uma floresta de tubos que terminam em torneiras, chuveiros, sifões, registros. A céu aberto, alvejam lavabos ou banheiras ou outras peças de mármore, como frutas tardias que permanecem penduradas nos galhos. Dir-se-ia que os encanadores concluíram o seu trabalho e foram embora antes da chegada dos pedreiros; ou então as suas instalações, indestrutíveis, haviam resistido a uma catástrofe, terremoto ou corrosão de cupins. Abandonada antes ou depois de ser habitada, não se pode dizer que Armila seja deserta. A qualquer hora do dia, levantando os olhos através dos encanamentos, não é raro entrever uma ou mais jovens mulheres, esbeltas, de estatura não elevada, estendidas ao sol dentro das banheiras, arqueadas debaixo dos chuveiros suspensos no vazio, fazendo abluções, ou que se enxugam, ou que se perfumam, ou que penteiam os longos cabelos diante do espelho. Ao sol, brilham os filetes de água despejados pelos chuveiros, os jatos das torneiras, os jorros, os borrifos, a espuma nas esponjas”. (CALVINO, 1990)

Assim surgiu Armila, uma obra de arte hi-tech feita de tubos que crescem no jardim como uma grande planta exótica, mas é também um mobiliário urbano. Armila é uma reunião de fortes referências das arte, a principal é sem dúvida a maravilhosa obra literária de Ítalo Calvino, que alem de estimular minha criatividade e dar nome à obra de arte, derrama-se pela calçada. O seu ponto de partida é um fragmento da malha urbana do centro de Florianópolis, que foi reproduzida em pedra portuguesa na esquina da Avenida dos Búzios com a Rua das Algas, da malha se desprende uma via (pode ser a SC 400), que leva a Armila cidade Delgada (que pode ser Jurerê Internacional), mas outras cidades de Calvino também são referenciadas ao solo junto à pavimentação.
A Fonte de Marcel Duchamp foi inspiração para os três bancos. Considerada uma das obras mais representativas do dadaísmo na França, A Fonte criada em 1917, discute a aura da arte, na medida em que o artista leva um produto industrializado (um mictório) para um espaço museológico. A peça de Duchamp, quando invertida, na posição que o artista adotou, para torná-la obra de arte, adquiriu um formato muito semelhante ao de um assento, então me aproprio dessa referência reproduzindo os três bancos, que estão juntos com um chuveiro e duas torneiras, tudo isso sob um piso drenante (filtro ecológico) para o conforto das pessoas que podem refrescar-se ao chegar da praia.

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