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Sesc Pompeia / Lina Bo Bardi. Foto por André Deak

Fábrica da Pompeia (Sesc Pompeia)

Artistas: Lina Bo Bardi

Datas

Criação 1982

A área ocupada hoje pelo Sesc Pompeia um dia foi uma fábrica simbólica da região. Construída em 1938 pela empresa alemã de tambores Mauser & Cia LTDA, a arquitetura dos prédios era baseada em um projeto inglês típico do início do século 20. Em 1945 o espaço foi comprado pela Indústria Brasileira de Embalagens, que instala ali a Gelomatic, uma fábrica de geladeiras a querosene. Em 1973, o complexo é comprado pelo Sesc e três anos depois começa o trabalho da arquiteta Lina Bo Bardi em redesenhar os prédios da antiga fábrica. Em 1982 é oficialmente inaugurado o Sesc Fábrica da Pompeia, primeiro nome do atual Sesc Pompeia. Depois de amargar um ostracismo de quase dez anos, vitima do regime militar e também vitima das “vistas grossas” de seus colegas, a arquiteta surpreende a todos com um presente para São Paulo: o Centro de Lazer SESC Pompéia. Nesta etapa do trabalho, os dois prédios foram preservados em sua estrutura. Lina descobre que a velha fábrica possui uma estrutura moldada por um dos pioneiros do concreto armado no início do século XX, o francês François Hennebique. Tem início, então, um processo de desnudamento dos edifícios, com a retirada dos rebocos e a aplicação de jatos de areia nas paredes. Não há acabamento de pintura nos tijolos nem tentativa de esconder as tubulações que percorrem as paredes. Os detalhes em ferro são visíveis, todos pintados de vermelho. Não há forro, sendo visível o telhado da antiga fábrica. No teatro, Lina teve inspiração japonesa para projetá-lo. Separando a platéia em duas partes e deixando o palco no meio – total de 720 lugares. Na área interna, foi construído um pequeno rio, apelidado de “São Francisco” pela arquiteta. No canto deste espaço, pedras brancas para para segurar os Exus, evitando assim que essas entidades povoassem o ambiente. A arquiteta valorizava muito aspectos brasileiros e fez questão de deixar evidente na escolha de materiais (o pinheiro do mobilitários mobiliário), e no paisagismo, como a presença de plantas como a espada de São Jorge. Haviam sugerido samambais à arquiteta, que acabou escolhendo algo mais popular. O Sesc Pompeia parte deste princípio, um lugar totalmente popular. Antes da sua total inauguração, o SESC já promovia atividades culturais e esportivas de forma improvisada no local. O que Lina queria era amplificar este movimento. Em 1986 é inaugurado o complexo inteiro, com mais dois novos prédios projetados pela arquiteta. O novo centro deveria fomentar a convivência entre as pessoas, como fórmula infalível de produção cultural (sem a necessidade do uso do termo). O nome utilizado pela equipe da arquiteta para o conjunto foi de Centro de Lazer, no lugar de cultural e esportivo. Lina dizia que a palavra cultura deveria ser posta em quarentena, para recuperar seu sentido original. E o termo desportivo implicava no esporte como competição, um rumo nocivo na sociedade contemporânea, já competitiva em demasia. O projeto já parte com um impedimento, o de não se construir em cima do corrégo da Água Preta, que até hoje passa por baixo do deck que liga a estrutura nova à antiga. A solução foi construir dois prédios, um em cada margem. Suas janelas são irregulares, grandes espaços abertos, sem vidro, possibilitando iluminação natural e uma corrente de ar por dentro da imensa estrutura. Foi a solução encontrada por Lina, que odiava a estética do ar condicionado. Aqui também não há acabamento e os detalhes das tubulações continuam visíveis. Foi um dos últimos trabalhos da arqutiteta, que se identifava muito com a programação, trabalhando quase como uma curadora, opinando desde o cardápio do restaurante até as atrações culturais. Um espaço que um dia foi marcado pelo trabalho fabril hoje é um exemplo de integração cultural e de lazer da cidade, de como transformar um ambiente pesado e fechado em algo de uso comum. Talvez por isso seja o trabalho que Lina considerava o que mais deu certo entre suas obras.

Aberto de terça a sábado das 9h às 22h. Domingo e feriado das 9h às 20h. Acesso ao complexo esportivo somente com carteirinha do Sesc

Projeto de pesquisa feito por Bárbara Bischoff Santana Borges dentro da oficina de produção multimídia realizada no Sesc Pompeia em dezembro de 2012.

Fontes:
http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link.cfm?edicao_id=290&Artigo_ID=4534&IDCategoria=5162&reftype=2
http://vereviverarquitetura.blogspot.com.br/2010/01/sesc-pompeia.html
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/08.093/1897
Livro Cidadela da Liberdade, Giancarlo Latorraca (org.). Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, SESC, São Paulo; 1ª edição, 1999

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